Dr Agostinho Neto 5h do dia nasceu aos 17 de Setembro de 1922, na Aldeia de Kaxicane, região de Icolo-Bengo provincia de Bengo, a cerca de 60 km de Luanda. O Pai era Pastor o professor da igreja Protestante e, tal como a sua mãe, era igualmente Professora. Após ter concluido o curso Lecial em Luanda, Neto trabalhou nos servisos de Saúde. Viria torna-se rapidamente uma figura proeminete do movimento cultural nacionalista que durante os anos 40 uma fase de vigorosa expanção.
Decidido a forma-se em medicina , Neto pòs do lado parte dos seus magros proveitos durante varios anos e, foi com essa economias que embarcou para Portugal em 1947 e matriculou-se na Faculdade de Medicina de Coimbro.
Aspecto da vida do Dr. Antonio Agostinho Neto
Agostinho Neto com os pais e irmãos (último em pé do lado direito).
Os primeiros tempos da sua formação foram bastantes irregulares, pois a inegável capacidade que demonstrou para os estudos não foi devidamente estimulada pelos pais. Feita a instrução primária, acabou por se arrastar no liceu durante dez anos para um curso de sete, não obstante figurar no Quadro de Honra. Tudo porque os pais capricharam em que acompanhasse a par e passo o irmão mais velho, Pedro, o qual se atrasara nos estudos e não tinha idêntico aproveitamento. Deste modo, se o Pedro reprovava num ano, Agostinho Neto suspendia a preparação e esperava por ele. Assim se explica que, tendo-se matriculado no Liceu Nacional Salvador Correia (hoje Mutu-ya-Kevela) em 14 de Fevereiro de 1934, só concluísse o 7º ano em Janeiro de 1944.
De tais antecedentes, seria de esperar que, terminado o liceu, além do mais com alta classificação, Agostinho Neto tivesse de acesso imediato a estudos superiores. Mas não havia universidade em Angola e a sua frequência na Metrópole (como então se aludia a Portugal) era numerosa demais para os modestos recursos familiares. E a única possibilidade de tornear tal obstáculo acabaria por ser-lhe verdade.
Na altura, o Governo colonial dispunha de uma bolsa de estudo anualmente atribuída ao estudante finalista do liceu com melhor classificação. António Agostinho Neto era um forte candidato, mas com ele rivalizava outro estudante oriundo de Cabinda.
Agostinho Neto se tornou o líder revolucionário, Pinheiro da Silva foi sempre um apaniguado do regime colonialista e chegou, nos anos 60, a assumir responsabilidades governativas em Angola, como secretário provincial da Educação.
Enfim com 22 anos feitos e gorada no imediato a hipótese da bolsa de estudo, a solução de Agostinho Neto foi arranjar trabalho. Mediante um concurso público, ingressou no quadro administrativo dos Serviços de Saúde e Higiene de Angola, sendo colocado primeiro em Malange e depois no Bié. Ao chegar a Malange, ver-se-ia de novo confrontado, agora de uma forma directa, com o preconceito racial. Conforme mais tarde recordou, num documento escrito da prisão, fora-lhe "recusada a entrada num hotel de inferior categoria, onde normalmente se hospedavam operários brancos, muitos deles analfabetos".
confronto com este tipo de situações humilhantes, a par do regime esclavagista que testemunhara na infância junto dos trabalhadores de algodão de Icolo-Bengo, ou dos contratados para as plantações de café na região dos Dembos, no Piri, para onde os seus pais haviam sido entretanto transferidos, despertaram-lhe a consciência para as duras realidades do colonialismo que, no seu espírito, cedo se perfilou como inimigo a abater.
Sua Obra
Mas é sobretudo na poesia que Agostinho Neto virá a encontrar a expressão mais adequada para dar voz à sua indignação perante a injustiça e transmitir a "sagrada esperança" na vitória dos fracos sobre os fortes, dos humilhados e ofendidos sobre os orgulhosos e arrogantes detentores do poder colonial e imperialista, não apenas em Portugal mas no mundo inteiro.
A ida a Portugal
Sem nunca ter desistido de subir a corda mais alto, finalmente Agostinho Neto conseguiu, três anos depois de ter iniciado carreira como funcionário público, reunir condições para estudar na Metrópole. Fê-lo, inicialmente, com as economias que conseguiu realizar dos seus magos proventos. Só dois anos mais tarde, segundo refere Marga Holness, lhe terá sido atribuída uma bolsa de estudos da Igreja Americana Metodista. Esta bolsa é invariavelmente referida como o único apoio de que beneficiou. Trata-se, porém, de um equívoco.
De facto, Agostinho Neto recebeu outra bolsa (cujo início não conseguimos determinar) que lhe foi concedida por uma instituição portuguesa, o IASA - Instituto de Assistência Social Angola. Tal bolsa, no valor de três mil escudos (quantia bastante elevada para a época), deixou, porém de ser levantada por Agostinho Neto no Ministério do Ultramar, em consequência de ter sido preso e pronunciado por "actividades subversivas" no Tribunal Criminal do Porto. Alertado pela PIDE para este facto, o IASA suspenderia a atribuição da bolsa em 1955.
Recuando à data em que iniciou os estudos superiores na Metrópole, ou seja em 1947, vamos encontrar Agostinho Neto na Universidade de Coimbra, em cuja faculdade de Medicina se matriculou. A sua integração no meio foi imediata, para o que concorreu a circunstância de ser ter familiarizado rapidamente com os outros estudantes de origem africana, embora na sua maioria brancos e mestiços. Um deles, Lúcio Lara, seria o seu companheiro até ao fim da vida.
Actividade política e pressões
A sua conduta não passa despercebida à autoridades fascistas. Num ofício dirigido à PIDE, em 11 de Julho de 1949, o Comando-Geral da Legião Portuguesa de Coimbra refere-se às actividades da CEI e do MUD Juvenil, afirmando a dado passo: "Quanto aos pretos, o que mais se tem evidenciado, embora não o demonstre, é o Agostinho Neto do MUD Juvenil", ao qual é atribuída a responsabilidade (partilhada por Antero e Vergílio Simões Moreira) de convidar Norton de Matos a visitar Coimbra durante a campanha eleitoral.
Entretanto, transfere-se de Coimbra para Lisboa, onde a sua actividade política de intensifica. E em Março de 1952 verifica-se a sua primeira detenção, por um período de três meses. Crime de que era acusado: "ser portador de panfletos subversivos". Segundo o boletim Juventude, editado ao copiador pela Comissão Central do MUD Juvenil, a prisão verificou-se quando Neto, em companhia dos colegas Marília Branco e Carlos Veiga Pereira, recolhia assinaturas para o "Apelo para um Pacto de Paz".
Tratava-se, afinal, da réplica lisboeta de um movimento universal africano que implantaria com o nome de "negritude" e que em Luanda encontraria equivalência na corrente literária "Vamos descobrir Angola".
Preso de novo pela PIDE em 9 de Fevereiro de 1955, Agostinho Neto passou dois anos e meio nos cárceres da polícia política portuguesa e depois na Cadeia do Aljube, no Porto, só sendo libertado em 12 de Junho de 1957.
Mal se apanhou em liberdade, Agostinho Neto reatou os contactos políticos com os seus antigos companheiros de luta, a tempo de participar na fundação do MAC – Movimento Anti-Colonialista, de que foi personalidade impulsionadora o guineense Amílcar Cabral embora o respectivo Manifesto viesse a ser da autoridade
Conclusão do curso de medicina casamento com Maria Eugenia da Silva
Uma jovem que morava na mesma rua CMS assomava por vezes à janela e assistia às permanentes entradas e saídas de estudantes e marítimos na casa da frente da sua rua. Até que um dia chegaram à conversa e estabeleceram relações de amizade. A jovem em questão chamava-se Maria Eugénia da Silva e viria a contrair, pelo casamento, o apelido de Neto.
Mas como nem só de política vive o homem, mesmo que esse homem se chame Agostinho Neto, ei-lo de novo a braços com os estudos de medicina, procurando recuperar o tempo perdido e obter a licenciatura. É o que finalmente acontece em 27 de Outubro de 1958, onze anos depois de se ter matriculado em Coimbra. Tinha então 35 anos, e Maria Eugénia, a sua noiva, 23. Reunindo dois motivos de festa, casaram-se no próprio dia da formatura, indiferentes à advertência da mãe de Maria Eugénia, segundo a qual "um político não faz felicidade de ninguém". Lúcio Lara é um dos padrinhos.
Regresso à Angola
Regressar a Angola é que seria a hipótese a excluir, pois os incómodos que teria se suportar no seu próprio meio seria por certo avassaladores Se Neto regressasse à sua terra, era mais que certo que não ficaria incólume. Pois foi exactamente esta solução, a pior do ponto de vista da sua comodidade e segurança, que Agostinho escolheu para si e para a sua família, entretanto já ampliada com o nascimento do primeiro filho.
Prisão em Luanda e Deportação para Portugal e Cabo Verde
Como era de prever, Agostinho Neto não estaria muito tempo em liberdade. Em 8 de Junho de 1960, ainda não se tinham completado seis meses desde a sua chegada, o próprio subdirector da PIDE, São José Lopes, irrompeu no seu consultório e deu-lhe voz de prisão.
Depois levaram-no, no meio dos protestos da mulher dele, a quem também ameaçaram prender.
Os acontecimentos aí verificados – e que ficaram conhecidos pela designação de "massacre de Icolo e Bengo" – seriam internamente abafados pela censura, mas através do método primitivo da transmissão oral, acabaram por chegar ao domínio público e ser noticiados por vários jornais e emissoras estrangeiros.
Perante a violência das reacções suscitadas pela prisão de Agostinho Neto e também do chanceler da arquidiocese de Luanda, Joaquim Pinto de Andrade, a PIDE considerou ser mais prudente retirá-los de Angola, onde a sua presença causaria permanentes problemas. Teria restituído a liberdade mal chegasse a Lisboa ali ficando com residência fixa para trabalhar.
O embarque para Lisboa verificou-se num avião militar que fez escalas em São Tomé e Bissau, tendo chegado à capital portuguesa em 8 de Agosto de 1960, precisamente dois meses após a prisão de Luanda. Contrariamente ao que fora prometido – e que se apurou ter sido acordado entre o ministro do Ultramar e o governador-geral de Angola, para evitar maior alarido no plano internacional -, Agostinho Neto ficou encarcerado na Cadeia do Aljube, em Lisboa, em regime de isolamento.
Cinco dias depois, verificava-se no aeroporto da portela o embarque, sob prisão, de Agostinho Neto para Cabo Verde, em companhia de sua mulher, Maria Eugénia, e Mário Jorge, o filho de onze meses.
com a inesperada manifestação de apoio de que foi alvo na aerogare da Portela em Lisboa, no dia 15 de Outubro de 1960, ao embarcar sob prisão para Cabo Verde, Agostinho Neto chegou de madrugada ao aeroporto dos Espargos, na Ilha do Sal. Com a mulher e o filho, que o acompanhavam, ficou hospedado no Hotel Atlântico.
No dia 18, de manhã, embarcou num avião dos Transportes Aéreos de Cabo Verde para a ilha de São Vicente. "No mesmo avião" – segundo refere o comandante da PSP, Fradinho da Costa – "seguiu da cidade da Praia um agente desta polícia com a missão de o vigiar discretamente". Em São Vicente hospedou-se na Pensão Chave de Ouro e, na madrugada do dia seguinte, embarcou no navio mercante "Gavião dos Mares" com destino à Ponta do Sol, em Santo Antão , onde lhe fora marcada residência.
Em 10 de Junho, acompanhada pelo filho Mário Jorge, Maria Eugénia Neto embarcava em São Vicente no navio "Manuel Alfredo" com destino a Lisboa, a fim de ali ter a devida assistência ao novo parto que se aproximava. Para se despedir da mulher e do filho, Agostinho Neto foi autorizado pelo Governador de cabo Verde a deslocar-se a São Vicente, onde chegou a 1 de Maio.
Outras razões se interpuseram que mudariam o curso da História. Tudo aconteceu com a chegada da sua mulher e dos filhos, que desembarcaram do navio "Alfredo da Silva" no dia 17 de Setembro, por coincidência a data de aniversário de Agostinho Neto. Esse dia, em que completava 39 anos, foi por certo um dos mais felizes da sua vida. Além do reencontro com a mulher e o filho Mário Jorge, via pela primeira vez a filha Irene, apenas com dois meses. Ainda por cima, devido a uma providencial distracção dos CTT, teve o raro privilégio de receber vários telegramas de felicitações enviados da Alemanha, de França e de Inglaterra.
Preso e enviado a Portugal
Passados que eram oito dias desde a chegada de Eugénia Neto à cidade da Praia, precisamente na véspera da data em que deviam seguir para a Boavista, eis que rebentou a "bomba" que levaria Agostinho Neto a ser novamente preso e a regressar a Lisboa para os cárceres da polícia política.
O motivo é registado pelo chefe da PIDE de Cabo Verde, numa informação que o governador datava de 25 de
Agostinho Neto seguiu para a cadeia do Aljube, enquanto Maria Eugénia Neto, com as crianças, voltaria a casa da mãe.
Agostinho Neto voltou a escrever, em 18 de Maio, ao ministro dom Ultramar, solicitando os seus bons ofícios "no sentido de ser autorizado a partir com a minha família para qualquer pais de qualquer pais da América Latina”, em fim “ poder viver livre de receios e de dificuldades” mas não aceite.
Fuga de Portugal
Ouve a possibilidade de sair de Portugal a bem, restava a Agostinho Neto a hipótese de fuga. Assim, aproveitando a situação de vigilância atenuada a que estava sujeito no regime de residência fixa, reuniu as condições para dar o salto para o exterior, o que acabou por se verificar no dia 30 de Junho.
Entretanto, Agostinho Neto e a família saíram da residência que habitavam em Alfama – e onde estavam sob a mais intensa vigilância da PIDE -, indo instalar-se em Sintra, perto da Praia das Maçãs, numa casa de férias pertencente a Maria Amélia da Silva, mãe de Maria Eugénia Neto.
Casa na Praia das Maçãs onde Agostinho Neto e a esposa se refugiaram
enquanto aguardavam a fuga.
Finalmente, no dia "D" (30 de Junho, segundo os registos de Jaime Serra, embora Cunhal se refira a 6 de Julho), Arménio Ferreira foi à Praia das Maçãs buscar Agostinho Neto, a mulher, Eugénia Neto e os filhos Mário Jorge e Irene Neto, ele com um ano e meio e ela com menos de um ano. Bagagem, a mais elementar, até para não dar nas vistas.
E quanto aos fugitivos desembarcados em Tânger Tal como se previa, foram prontamente acolhidos pelas autoridades marroquinas, sendo encaminhados para Rabat, onde Maria Eugénia ficou alojada com os filhos, em casa da sua cunhada Ruth Neto, enquanto Agostinho Neto seguia para Léopoldville (actual Kinshasa). Ali realizou uma conferência de imprensa, na qual anunciou ao mundo o propósito que então o animava: "a unificação das forças nacionalistas numa frente comum".
Ida à Léopoldville
Neto desce de Rabat para Léopoldville, hoje Kinshasa, onde está instalado o Comité Director do MPLA.Antes de acabar o ano de 62, Agostinho Neto é eleito presidente do MPLA, durante a 1ª Conferência Nacional do Movimento, em Léopoldville.
A luta continua, a vitória é certa são, como de costuma, as palavras de Agostinho Neto a fechar o texto de abertura lido em conferência de imprensa, em Brazza, corria o mes de Janeiro de 1967.
Nas Nações Unidas, a posição de Portugal torna-se difícil. Nesta frente, a mais importante das vitórias ocorre a 20 de Junho de 1968, data em que a OUA reconhece o MPLA como único representante e organização combatente do povo angolano retira todo o apoio à FNLA.
Também em 1968, o ditador português, António de Oliveira Salazar, cai de uma cadeira e sai de cena, sendo substituído por Marcelo Caetano, que promete reformas, tenta liberalizar e modernizar o sistema, mas não consegue senão aumentar o descontentamento em todos os sectores, menos o dos velhos salazaristas.
O 25 de Abril de 1974
O golpe militar em Portugal encontra Agostinho Neto no Canadá, em busca de apoio ocidental para o MPLA e a manter contactos com a Cabinda Gulf Oil. Mais tarde, assistir-se-ia ao impensável: militares cubanos a protegeram as instalações petrolíferas americanas, americanas, de angolanos financiados e armados pelos Estados Unidos e pela China.
Agostinho Neto, perante as hesitações do general Spínola em reconhecer o direito à autodeterminação e à independência das colónias portuguesas, faz saber que a luta armada só terminará quando quem manda em Portugal aceitar "a independência imediata e total de
Chegada de Agostinho Neto a Luanda.
Neto ficou demonstrado ali, era aquele por quem se esperava. "O nosso Movimento, o MPLA, tem simplesmente um desejo: é que a partir de agora harmonizemos os nossos esforços. Nós temos de fazer com que o nosso povo se sinta realmente senhor do seu país, que seja livre, que a unidade e a democracia não sejam palavras que nós pronunciemos simplesmente diante dos microfones, mas que sejam os ideais que na realidade nós defendemos". O seu desejo não foi ouvido.Angola". Dos microfones, mas que sejam os ideais que na realidade nós defendemos". O seu desejo não foi ouvido.
A chegada de Agostinho Neto a Luanda, na manhã de 4 de Fevereiro de 1975, é apoteótica. Nunca se viu, antes, nada assim, tão espontâneo, tão sentido, tão exaltante. Cálculos por alto apontam mais de cem mil pessoas, a fazerem o que podiam para caber no aeroporto e na pista de aterragem, invadida mal o avião parou. Uma desta única, global, aquela de que se guarda recordação e de que quem a viveu falará sempre.
Após o Acordo de Alvor Neto visitou a Associação Portuguesa de Escritores.Na pequena vila algarvia do Alvor, na baía de Lagos, acaba enfim por ser assinado, a 15 de Janeiro de 1975, entre o MFA, o MPLA a UNITA e a FNLA, o acordo final, em que Portugal se compromete a conceder a independência total e completa a Angola em 11 de Novembro, após um governo constituído por elementos provenientes dos três movimentos".
Agostinho Neto visitando a prisão do Aljube da PIDE onde esteve.
No mesmo mês das assinaturas do Alvor, a CIA fornece ajuda militar à FNLA no valor de 300 mil dólares.
A parada sobe para os 14 milhões de dólares, quando o MPLA, com o apoio da população, expulsa os homens de Holden Roberto de Luanda. Estes reconhecem-se facilmente: a maioria só fala lingala e quase todos, usam óculos escuros de aro metálico.
A família de Neto chega à capital a 25 de Abril de 1975 e instala-se numa vivenda no bairro do Saneamento, perto do Palácio do Governo. Está decretado o recolher obrigatório das 9 da noite às 6 de manhã. É o tempo de as balas tracejantes abrirem caminho alto à outras que não se vêem.
Em Agosto, o Governo de transição desfaz-se. Os ministros da UNITA partem para o Sul, os da FNLA para o Norte. Começa a segunda guerra de libertação. Do Norte desce uma FNLA a Sul, Jonas Savimbi espera o exército regular sul-africano, que entra em Angola pela Namíbia e sobe pela Huíla, Huambo, parte do Bié e Benguela, no meio o MPLA parece presa fácil, tanto mais que a URSS pouca ou nenhuma ajuda fornece.
Ao pôr-do-sol do dia 10 de Novembro, a bandeira portuguesa é arriada pela última vez no Palácio do Governo e na Fortaleza de Luanda. De manhã, no salão nobre do Palácio, o último alto-comissário, Leonel Cardoso, fizera a declaração de despedida: "Portugal entrega a Angola aos angolanos, após quase 500 anos de presença.
Proclamação da Independência
No dia da independência, Luanda está praticamente cercada. A norte, na margem direita do Bengo, tinham tomado posições forças militares da UPA, seus aliados do Zaire e mercenários comandados por um coronel português Santos e Castro. Os canhões térmicos fornecidos por Pretória, que também apoia esta frente, têm a capital ao seu alcance. A Sul, perto da margem esquerda do Cuanza, preparavam-se para o assalto as forças da UNITA, apoiadas e reforçadas pelas tropas regulares da África do Sul.
Às zero horas de 11 de Novembro de 1975, a bandeira da República Popular de Angola sobre no mastro, com elementos sobreviventes do 4 de Fevereiro de 1961 a prestar-lhe guarda de honra e sob o olhar de todos os luandenses que conseguiam vê-la, mesmo de longe.
Em nome do Povo Angolano, o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) proclama solenemente, perante a África e o Mundo, a independência de Angola. – Foram as primeiras palavras de Agostinho Neto. "Nesta hora, o Povo Angolano e o Comité Central do MPLA observam um minuto de silêncio e determinam que vivam para sempre os heróis tombados pela independência da Pátria", prosseguiu. E foi no silêncio que subiu e se desfraldou a bandeira da catana e da roda dentada ao centro, sobre as cores de sempre do "M", o vermelho e o amarelo. Não está presente nenhum representante de Portugal.
Agostinho Neto 1º Presidente da Republica de Angola
As formalidades de investidura no cargo de Presidente da República serão cumpridas, nesse mesmo dia, no salão nobre da então extinta Câmara Municipal. Do Largo da Mutamba, onde não cabe mais ninguém, levanta-se uma explosão de aplausos, abafando o som das armas pesadas que troam ao longe.
Como Presidente da República Popular de Angola, Neto continuou a ser o mesmo homem de gostos simples, a exigir de si sempre mais do que pedia aos outros.
Já doente, Agostinho Neto percorre o Moxico, Bié, Cuando-Cubango, Malange e Uíge, como que a despedir-se do país a que se consagrou. De uma das vezes em que dirige à população, dirá mesmo não haver homens insubstituíveis.
O dia do Herói Nacional-17 de Setembro
Em Dezembro de 1977, o MPLA ao Dr. António Agostinho Neto a medalha de herói nacional. Após a sua morte, em 1979, o governo de Angola instituiu um novo feriado nacional, alusivo a memória do Dr. Agostinho Neto, que se comemora no dia do seu nascimento, 17 de Setembro. Este feriado é designado por Dia do Herói Nacional.
Sua Morte
A 10 de Setembro de 1979, morre (assassinado) numa mesa de operações do principal hospital de Moscovo.
Funeral de Agostinho Neto em Luanda.
A vida de um homem do tamanho deste filho de África não se conta numa noite. Ficou muito por falar, muitos nomes por dizer, muitas histórias pequenas, algumas grandes também, guardadas para outra fogueira, se for o caso...Não se pode chorar mais.
O povo em Luanda chorando a morte do seu Presidente.
O povo já chorou tudo quanto podia, quando lhe foi receber o corpo embalsamado ao mesmo aeroporto que transbordara de alegria naquele 4 de Fevereiro de 75, aos
Morreria sem sequer prover a segurança financeira da família, (o sublinhado é nosso) agora a viver no enorme Palácio, com os constrangimentos protocolares e outros daí resultantes. A pretexto de que o edifício precisava de obras, O presidente muda-se para uma vivenda no Futungo de Belas, onde se mantém hoje a verdadeira sede do poder.
Mataram-no, mataram-no! Com as mulheres a rasgarem os panos e a cobrirem a cabeça de terra. Já chorámos tudo. Nem komba (ritual de luto com carpideiras) teve, nosso Pai da Pátria, guardado num caixão de vidro para a gente o ver, aiué! Para a gente o ver como ele não estivesse connosco, dentro de nós, sagrada esperança.
Algumas datas e momentos mas significativos da sua vida são os seguintes:
1922-Ano do seu nascimento, em 17 de Setembro.
1934-Entrada do Liceu Salvador Correia Salvador (hoje Mutu- ya-Kevela)
1947-Viajem para Portugal para se matricular na faculdade de medicina, da universidade de Coimbra.
1952-Em Março é preso pela primeira vez pelo estado colonial pela PIDE (a policia politica do estado colonial português), acusado de ( “actividade subversiva” . Esteve preso três meses.
1955- Volta a ser preso pala PIDE. Este preso durante dois anos e meio.
1958-Forma-se em medicina e no mesmo dia, a 27 de Outubro, casa-se com Maria Eugenia.
1975-Em 15 de Janeiro é assinado o tratado de Alvor, em Portugal , onde as autoridades portuguesa comprometeram-se a conceder a independência total a Angola no dia 11 de Novembro. Regressa a Angola, no dia 04 de Fevereiro. Em 11 de Novembro Agostinho Neto Proclama a independência de Angola e é declarado presidente da republica popular de Angola.
1979-Morreu no dia 10 de Setembro, em Moscovo, para onde tinha sido evacuado durante uma operação cirúrgica.
Bibliografia
Livro vida e obra de Agostinho Neto.
NET-Angola.Heroi da pátria
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